50 aniversário da London Filmmakers’ Co-op (LFMC) by Marcia Derraik

  1. Carolee Schneemann - Up to and Including Her Limits. 

A Tate Galery de Londres fará uma programação de filmes entre os meses de abril e dezembro de 2016 para celebrar o 50o aniversário da London Filmmakers’ Co-op (LFMC), um grupo fundado por artistas e realizadores para produzir, exibir e distribuir cinema experimental.

A intenção do grupo era experimentar o cinema como meio, como media. A história era, portanto, concebida como anterior a narrativa e voltada para a exploração da materialidade do filme, dos seus elementos básicos: luz projetada, celuloide e emulsão fotográfica. Esse era o eixo principal do que ficou conhecido como Cinema Estrutural e Cinema Expandido. Para Malcolm Le Grice, um importante representante da LFMC, a necessidade de ‘expandir’ o cinema não era exatamente uma rejeição ao modelo cinematográfico tradicional e estabelecido, mas sim uma forma de resistir ao efeito de passividade e hipnose criados pela narrativa tradicional, uma maneira de reposicionar o expectador como um agente ativo dentro do espaço de projeção. Para Le Grice a realidade primordial é a projeção.

Se no cinema comercial o principal foco é a continuidade narrativa, no cinema estrutural o foco é a experiência da audiência.

A cooperativa tinha como base um laboratório criativo aonde aconteciam workshops, exibições e distribuição das experiências ali concebidas, que visavam direcionar o filme para um nova linguagem, para um novo pensamento.  Segundo William Raban, que conduziu a Cooperativa entre 1972 e 1976, as radicais experiências produzidas nos workshops podiam ser exibidas no cinema algumas horas depois e em seguida distribuídas local e internacionalmente. As formas de exibições eram amplas e em contextos bem variados como festivais, cinemas e museus.

Raban conclui que, em retrospectiva, a LFMC pode também ser vista como uma realização do ideal marxista, pois combina as três práticas fundamentais do processo fílmico - produção, exibição e distribuição.

 

LIVE CINEMA - Cinema, Tecnologia, Intuição, 'Liveness' by Marcia Derraik

Introdução

A tese aqui apresentada pretende destacar os vários termos e conceitos que as práticas audiovisuais têm adotado no sentido de definirem-se em um complexo e envolvente contexto cultural e tecnológico.

O foco principal está no termo Live Cinema, em sua validação e utilidade ao descrever performances audiovisuais contemporâneas apresentadas em tempo real. 

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Arte Poshumana by Marcia Derraik

Introdução 

Os seres humanos tem imaginado apocalipses e o fim do mundo ao longo da sua história, na arte, na literatura, no cinema. Mas o conceito de poshumano é uma guinada mais atual que não só sugere a nossa extinção como espécie mas algo ainda mais desconfortável e misterioso: a nossa mutação em um novo ser. Neste texto eu sugiro que o conceito poshumano é um produto da era da informática, conectado com nossa cultura industrial, mas que reitera as clássicas questões da relação corpo-mente, o que pode ser entendido como um longo retorno na historia da filosofia.

O texto tem como base o livro How We Became Posthuman (Como nos Tornamos Poshumanos), de Katherine Hayles, e sublinha as suas definições com exemplos na arte do passado e presente. Em concordância com Hayles, eu argumento que nós temos sido poshumanos desde sempre; que nossa principal característica é a autoconsciência, a capacidade de nos posicionarmos fora de nós mesmos, de nos imaginar, de nos representar. É essa distância que está implícita no ‘pós’ do poshumano, mas que é de fato inerente ao que é ser humano.

 

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